Desenvolver as Nossas Aptidões Intelectuais pela Autodidáctica

O leitor deve conhecer casos de operários e outros trabalhadores muito lidos no campo dos seus passatempos ou do seu sector profissional. É possível continuar a nossa própria educação sem frequentar estabelecimentos se enO leitor deve conhecer casos de operários e outros trabalhadoressino. Muitos especialistas, trabalhando nas mais diversas esferas da actividade humana, tornaram-se especialistas no seu domínio porque nunca pararam de instruir-se a si próprios; continuaram sempre a estudar ao longo dos anos em livros e revistas da sua especialidade. Isto permitiu-lhes tornarem-se verdadeiros mestres nas suas respectivas profissões. Gente desta nunca se deixa desactualizar. Os seus interesses são habitualmente muito diversificados e as suas actividades multifacetadas até uma idade muito avançada.
Pouco mais temos que acrescentar a este capítulo. Demonstrámos que todas as pessoas têm nas suas próprias mãos o desenvolvimento das suas aptidões intelectuais.

Na Escola não só Adquirimos Qualificações como também Desenvolvemos as Nossas Aptidões

Uma pessoa que usa constantemente o cérebro está a praticar e a desenvolver as suas aptidões intelectuais. Na Escola não só Adquirimos Qualificações como também Desenvolvemos as Nossas AptidõesPelo contrário, quem não introduz informação suficiente no “computador” que tem na cabeça, ou não está suficientemente interessado em resolver problemas, não pode esperar que as suas aptidões intelectuais se desenvolvam.
Se desejarmos melhorar a nossa situação elevando as nossas qualificações profissionais, então é aconselhável pensar em continuar os estudos ao mesmo tempo que estamos a trabalhar.
O leitor talvez objecte dizendo que perdeu o hábito de estudar e que os estudos para si serão mais difíceis visto que já anda a trabalhar há muito tempo. Mas não é assim. O leitor terá uma grande vantagem por comparação com os estudantes sem qualquer prática. É a experiência no trabalho que sob muitos aspectos facilita o estudo – uma pessoa sabe em que se concentrar e como distinguir o que é essencial do que é menos importante. E, acima de tudo, tem também uma maior motivação: quer aprender aquilo que não sabe no seu trabalho.

escolher amigos

escolher amigosUma grande influência no desenvolvimento, e não só de crianças e adolescentes, mas também de adultos, é o ambiente em que eles vivem. São principalmente as pessoas que optam por escolher como amigos,  com quem estão em contacto que os influenciam.

A companhia com que andamos influencia-nos. Muito poucos jovens compreendem que, ao escolherem um certo grupo de pessoas como amigos, estes influenciarão de muitas maneiras a sua vida futura e os seus planos.

Recordo o caso de um rapaz talentoso que no terceiro ano do liceu entrou para um grupo de “bebedores de cerveja”. Começou a beber, a fumar e a perder tempo em botequins.

Do nível de bom aluno foi baixando nos seus estudos até ao nível mais baixo e finalmente teve de deixar o liceu. No trabalho juntou-se a gente da mesma espécie e afundou-se ainda mais.

Destino diferente foi o de um dos seus colegas. Teve muitas dificuldades nos estudos liceais, que lhe exigiam muito trabalho. Mas ele não desistiu e aplicava toda a sua diligência e perseverança mesmo no trabalho. Teve sorte porque enviado para uma secção chefiada por um excelente especialista. Este reconheceu os esforços do rapaz, foi-lhe dando tarefas cada vez mais responsáveis, e por fim persuadiu-o a tirar um curso universitário nocturno.

Estes dois exemplos mostram quanta coisa depende da companhia em que uma pessoa anda e da forma de escolher amigos. Uma pode empurrá-la para baixo e a outra, pelo contrário, inspirá-lo para esforços ainda maiores.

Desenvolvimento do cérebro

Desenvolvimento do cérebroQuando o leitor tomar conhecimento da experiência relatada abaixo, compreenderá qual a principal condição para o desenvolvimento das actividades do cérebro.

À base de resultados de testes e hipóteses prévios, foi preparada uma experiência em que ratos com 25 dias de idade foram divididos em dois grupos.

O primeiro grupo recebeu nos três meses seguintes uma grande quantidade de informação e de estímulos. Os jovens ratos viviam numa gaiola iluminada que tinha um tambor rotativo, varões oscilantes, escadas, câmaras, etc. Todos os dias estes artigos eram arranjados de maneira diferente. Além disso, os ratos moviam-se todos os dias cerca de meia hora num labirinto que era também gradualmente mudado. Os jovens ratos brincavam assim durante todo o dia e adquiriam novos conhecimentos e impressões.

O segundo grupo de controlo consistia principalmente de irmãos do primeiro grupo, portanto diferiam muito pouco deles em termos de hereditariedade. Viviam – ao contrário do primeiro grupo – em condições muito simples. Os animais estavam divididos em câmaras pequenas, mal iluminadas, separados uns dos outros para que não se vissem.

Os resultados do teste corresponderam às hipóteses. Os animais do segundo grupo tornaram-se menos perceptivos, inventivos, e vivos do que os seus irmãos e irmãs do meio que fornecia uma elevada dose de informação e estímulos externos.

Ao analisar os processos bioquímicos em curso no cérebro dos dois grupos não se descobriram resultados especiais, excepto numa coisa – os animais que viviam no meio enriquecido mostravam maior actividade de enzimas importantes, que muito provavelmente agem durante a transferência dos impulsos nervosos de um neurónio para o outro. Embora os resultados destes testes não se possam aplicar directamente ao homem e ao seu cérebro, mesmo assim sugerem esta conclusão: Um meio rico em impulsos e informação externos é muito mais vantajoso para o cérebro do que um suprimento limitado de informação.

O mesmo acontece com as pessoas. Os poucos casos que conhecemos de “meninos lobos” (crianças, que perderam os pais e foram criados por lobos) mostram que as crianças segregadas da sociedade humana são, em consequência disso, atrasados e que esse atraso não pode ser alterado ou compensado ulteriormente.

Uma falta de percepções e impulsos do mundo exterior pode ter uma influência desfavorável mesmo num adulto, como sabemos em resultado de muitas experiências.  Por exemplo, o espeleólogo francês Michael Siffre tomou parte durante toda uma década em testes destinados a averiguar que efeitos o isolamento absoluto tinha numa pessoa. Pela última vez, em 1972, ele passou mais de seis meses debaixo da terra nas cavernas se Del Rio no Texas. Todos os dias eram medidos a pulsação, o sono, etc.

Decorridos dois meses ele deu sinais de fraqueza. À beira da loucura, retirou todo o equipamento de medições e os eléctrodos e durante dias ele vagueou pelas cavernas. Depois voltou para o seu lugar e conservou e conservou-se debaixo de terra um total de 205 dias.

Durante a sua estadia nas cavernas ele dormia de uma maneira incerta, mas as piores perturbações foram as da visão. Deixou de ver as coisas numa forma tridimensional, dificilmente podia distinguir uma cor da outra e, como outras pessoas submetidas ao mesmo tipo de experiência, tornou-se míope e a sua vista continuou a piorar mesmo mais tarde, depois de terminadas as experiências.

Debaixo da terra sentia a impressão de que tinha «ficado sem cérebro» (provavelmente porque os seus sentidos deixaram de receber impressões». Sofria tonturas e alucinações.

A monotonia da vida produziu um declínio de vivacidade e tensão muscular. Perdeu também o sentido do tempo e tornou-se mais esquecido, de modo que não conseguia lembrar-se do que comera ou do que fizera dois ou três dias antes.

Destes exemplos resulta a conclusão de como desenvolver as nossas aptidões intelectuais: um cérebro necessita de trabalhar constantemente para receber muitos impulsos e resolver sempre novos problemas. Devemos lembrar-nos deste princípio ao criar os filhos, especialmente nos primeiros cinco ou seis anos de vida.

Influência do Meio na Inteligência, Hereditariedade.

Influência do Meio na Inteligência, HereditariedadeUm problema controverso em psicologia é o de saber se a inteligência é influenciada principalmente pela hereditariedade ou, num grau maior, pelo meio. Alguns dizem que o quociente de inteligência é influenciado 80 por cento pela hereditariedade e 20 por cento pelo meio. Outros insistem que a influência do meio desempenha o papel principal, assinalando que a própria hereditariedade é influenciada pelo meio.

Tem-se feito investigações em torno deste problema discutível. Por exemplo, colocaram-se ratos jovens num labirinto tendo que encontrar a saída. Durante estas experiências verificou-se que não só os ratos, praticando, aprendem a encontrar o caminho correcto mais rapidamente, como até os seus descendentes eram mais aptos para resolver este problema. Os defensores da influência do meio apontam isto como prova da sua tese, dizendo que até as aptidões adquiridas pela prática num certo meio podem ser transmitidas.

Mas os defensores da influência da hereditariedade, contrariando isto, assinalam os exemplos dos testes feitos gémeos univitelinos que depois do nascimento foram separados e cresceram em meios diferentes. Os testes de inteligência efectuados com semelhantes crianças mostram quase o mesmo quociente de inteligência, a despeito do facto de crescerem em meios diferentes.

Outro interessante exemplo de estudos da inteligência é dado, mostrando a grande influência do meio na inteligência. Sabia-se que as condições em certo orfanato eram terrivelmente primitivas. Cerca de metade das crianças foram transferidas para um meio mais distante mas mais apropriado. As outras crianças não foram levadas para ali por falta de acomodações. Quase todas as crianças transferidas apresentavam passado algum tempo um Q. I. acima da média, Enquanto quase todas as crianças que permaneceram naquele meio degradado continuaram a ter um Q. I. quase subnormal.

Em conexão com a inteligência é interessante saber alguma coisa a respeito do importante mecanismo de hereditariedade que se manifesta não só na inteligência mas, entre outras características, na altura dos filhos e dos pais. Estou a pensar na regressão (retorno ao normal). se fosse regra absoluta que a influência da hereditariedade na inteligência se aplicava aos descendentes, então os filhos de pais muito inteligentes seriam extremamente inteligentes e os filhos de génios seriam génios. Mas sabemos que isso não acontece.

A natureza equilibra sempre qualquer desvio da inteligência, como o faz com as diferenças de altura. Isto significa que se os pais tem um Q. I. de 120, os filhos terão provavelmente um Q. I. de 110. Por outro lado filhos de pais com um Q. I. de 90, terão provavelmente um quociente de inteligência de 95. O mesmo acontece com a altura. Quando os pais são anormalmente altos, os filhos regressam ao normal, do mesmo moda que quando os pais são muito pequenos têm filhos mais altos.

Que podemos nós concluir de uma questão tão complicada? Mesmo se tomarmos em consideração as ultimas descobertas, o facto mantém-se de que o cérebro humano usa apenas uma fracção das suas possibilidades. Isto significa que, se uma pessoa tem um Q. I. de 95 ou 135, se poderá sempre dizer que o “computador do cérebro” tem grandes reservas ocultas cuja amplitude nem sequer conhecemos.

Depois há outro facto em que se baseia a lição deste capítulo: a inteligência se uma pessoa pode ser influenciada pelo ambiente, pelo meio, pela educação e pela autodidáctica. Nenhum especialista negará este facto. A questão de quão grande é a influência hereditária sobre o ambiente é virtualmente insignificante para o nosso livro, em termos práticos. Mais importante para nós é que o desenvolvimento da inteligência pode ser influenciado.

O terceiro facto já discutido é que os testes de inteligência de modo algum abrangem todos os elementos da personalidade humana que contribuem para o sucesso de uma pessoa na vida. Vou repetir alguns deles: resistência, persistência, audácia, popularidade, conduta e relações com as pessoas, aspecto, saúde, etc.

O que é a Inteligência?

Muito se tem dito e escrito sobre a inteligência, até há testes de inteligência.

O que é a inteligência? Nem os especialistas nem os psicólogos sabem dar uma resposta definitiva a esta questão (apesar de terem sido formuladas incontáveis definições), embora a inteligência se possa medir. Isto é lógico? Sim. No decurso de um simples teste a inteligência de uma pessoa é determinada por um certo sistema se pontuação, e durante os testes subsequentes esse memo total de pontos aparece nos resultados (com uma diferença máxima de mais ou menos 10). É provavelmente como a electricidade. Durante décadas trabalhamos com a electricidade, medindo-a e usando-a universalmente, e contudo nenhum cientista podia definir precisamente o que é a electricidade. O mesmo é verdade com a inteligência.

Diz-se que a palavra “inteligência” foi cunhada pelo famoso orador romano Cícero, e por esse termo ele significava a aptidão do homem para ser guiado pela razão, emoções e vontade. O termo foi retomado no século passado pelo filósofo inglês Herbert Spencer que disse ser a inteligência a capacidade para adaptar interconexões internas às externas.

O que é a InteligênciaDesde então a inteligência humana tem sido definida muitas vezes. Segundo uma definição é a «aptidão para pensar abstractamente e resolver problemas».

F. Galton, primo de Darwin, foi o primeiro que começou a medir a inteligência. Galton foi conhecido como viajante, matemático, meteorologista, jornalista, criminologista. A opinião de Galton de que a inteligência está relacionada com a velocidade, a precisão e a capacidade para perceber, revelou-se errónea.

No final do século passado foi o psicólogo francês Alfred Binet que começou a proceder a medições de inteligência à base das tarefas práticas. O ministro da Educação francês pediu-lhe para desenvolver um método pelo qual fosse possível determinar precocemente quais as crianças pouco dotadas e que teriam de ser remetidas para escolas especiais. Binet e o seu colaborador Simon ocuparam-se durante dez anos no estudo deste problema.

Escolheram um método diferente do de Galton que acabou por se revelar correcto. Estudaram os exercícios que os professores davam aos alunos e na base disto sugeriram os seus próprios exercícios numa variedade de campos ligados ao pensamento, que podia ser avaliado durante a execução dos testes. Em 1905 a primeira escala de medição da inteligência estava completa. Foi retocada várias vezes, especialmente pelo americano L. Terman da Universidade de Stanford na Califórnia, e o teste de Stanford-Binet tem sido usado até hoje juntamente com outros testes.

O teste de Binet foi padronizado, o que significa que cada resultado individual do teste é relacionado com o valor mediano aplicável ao conjunto. Através da experiência na prática, os exercícios foram estilizados de tal maneira que se tornam gradualmente mais difíceis e de tal modo que metade das pessoas examinadas eram incapazes de dominar mais de metade das alíneas. Assim, cada individuo, depois de contados os resultados, encontrava-se num determinado lugar na escala de medição. O teste, como tal, não determinava se uma pessoa era inteligente ou não, mas o ponto onde ela se situava numa escala graduada de 50 a 150 pontos. Binet assumiu que a inteligência, como qualquer outra característica humana, por exemplo, a altura, se distribui entre a população de acordo com o chamado gráfico de Gauss. Este gráfico mostra que cerca de 50 por cento dos examinados alcançavam uma classificação de entre 90 e 100, 25 por cento dos examinados mostravam uma inteligência acima da média – superior a 110 – e 25 por cento mostravam uma inteligência abaixo da média – inferior a 90. O número resultante, alcançado nos testes, era multiplicado por 100 – e isto é o que conhecemos por Q. I. – Quociente de Inteligência.

O teste de Binet foi preparado para fins muito específicos – determinar os futuros resultados do estudo das crianças na escola. É claro que se tivesse de elaborar um teste visando medir as reacções e outras aptidões necessárias, digamos, aos pilotos de jactos, o teste teria de ter um conteúdo diferente. Por conseguinte testes diferentes são elaborados de acordo com as necessidades específicas.

Deve notar-se também que os testes do Q. I. toda a personalidade. Eles nada nos dizem sobre a capacidade do indivíduo para se concentrar, para persistir, as suas ambições, memória, motivação, energia, talentos criadores, características introvertidas e extrovertidas. Não incluem também quaisquer critérios morais. Um indivíduo podia, por exemplo, usar o seu alto quociente para gerir um banco, outro com o mesmo quociente para planear o roubo de um banco, e um terceiro com o mesmo Q. I. para ser o juiz do tribunal onde se julga o assaltante do banco.

O teste mede uma quantidade inexplicada e indefinida, que nunca aparece como pura, como não misturada com outras características. É perfeitamente paradoxal dizer que a inteligência é o que um teste de inteligência mede. Como disse um autor: a inteligência não foi descoberta, foi inventada.

O que resta dizer é que os testes de inteligência avaliam bastante bem a aptidão para o estudo dos alunos numa escola. Numa extensão bastante menor pode calcular-se o êxito que esses mesmos jovens terão na sua profissão.

Onde é que são hoje usados os testes psicológicos? Eles têm importância na detecção de inclinações para o estudo e para a escolha de uma profissão. Esses testes são usados, por exemplo, em instituições psico-pedagógicas. Ao seleccionar candidatos para certas profissões, por exemplo pilotos, motoristas ou maquinistas de comboios, usando testes pode saber-se se uma deficiência oculta ou de outro modo não revelada não virá a constituir um risco para o exercício dessas profissões. Os testes são também úteis nos sistemas de saúde, são usados no trabalho psicológico, para determinar a influência do meio numa pessoa. Mas os testes são sempre matéria da exclusiva competência de profissionais especialistas.

Quanto Tempo Usa Você Racionalmente?

Quanto Tempo Usa Você RacionalmenteÉ sabido que numa vida de 72 anos uma pessoa dorme 22 anos, trabalha 10 e gasta a comer 6. Se somarmos estes números veremos que é um pouco de metade do tempo de vida. E o que aconteceu nos restantes 34 anos? Depende de cada pessoa o que ela faz com eles.

Calcule a vida de uma pessoa normal e deste ponto de vista a sua própria. O leitor ficou provavelmente surpreendido por tamanha quantidade de tempo à sua disposição. A verdade é que uma explicação de como ele é usado é a razão por que algumas pessoas são capazes de fazer tanto na vida e outras tão pouco.

Tomemos como exemplo Robert Wener, o fundador da cibernética. Quando alguém elogiava o seu génio ele recusava o elogio e dizia que se outro qualquer no seu campo consagrasse todos os seus serões, sábados e domingos a trabalhar o que ele trabalhava, teria obtido os mesmos resultados.

Imaginemos que uma pessoa gasta duas horas todos os dias entre as idades de 22 e 72 – isto é, durante 50 anos – a preguiçar. Num ano, isto é em 365 dias, isso representa 730 horas que, multiplicadas por 50, vêm a dar 36.500 horas – mais de quatro anos completos! Incrível!

Se o leitor desejar desenvolver todos os aspectos da sua personalidade – de que este blog trata – então tem de aprender a utilizar o seu tempo plenamente. Não quero dizer que isto signifique, por exemplo, que deve passar o dia inteiro a trabalhar, ou, por outro lado, simplesmente a divertir-se. Quem na vida não conheceu mais nada a não ser o trabalho é digno de compaixão, como herói da novela de Sinclair Lewis, Babbit,, que deixou a vida passar por ele sem nunca ter tirado proveito dela. Por outro lado, quem só quer divertir-se e negligencia a sua preparação e qualificação terá de mais tarde de trabalhar mais como trabalhador não especializado a fim de se sustentar e á sua família.

O leitor tem alguma ideia de como usar o seu tempo bem ou mal? Não basta dizer que pensa que está a utilizar o seu tempo bem. A coisa tem de ser verificada objectivamente.

Tente manter um registo para uma certa duração do seu tempo a trabalhar e sem trabalhar.

Usando uma folha de papel quadriculado, estude graficamente como gasta o dia começando de manhã e acabando á noite. Deixe uma linha para cada dia, escrevendo a data à esquerda. Divida os quadrados de modo de modo a que cada quatro representa uma hora. Depois identifique as várias actividades por diferentes sinais – por exemplo, uma linha simples, uma linha ondulada, etc. – e preencha-os desde as 7 da manhã às 10 da noite. Use esse tipo de linhas para actividades pessoais – como por exemplo trabalho, estudos complementares, recreio e desporto, relações pessoais, divertimentos e cultura. Além disso, indique com linhas especiais quanto tempo é consagrado a:

  1. Lavar-se, barbear-se, pentear-se, vestir-se, comer, etc.
  2. Transportes, compras e outras coisas que têm de ser feitas.

Pode indicar também o tempo que perdeu a esperar, em conversas desnecessárias, etc.

Mantenha este registo durante uma semana ou um mês, indicando como usa o seu tempo. Quem pelo menos uma vez por outra escrever durante a semana quanto tempo consagrou ao trabalho (ou ao estudo), quanto tempo ao divertimento, quanto a outros tipos de actividades, ficará a saber se está a usar o seu tempo eficazmente ou se está a desperdiça-lo.

Se junto ao seu gráfico o leitor mostrar também que horas determinadas foram gastas em actividades individuais, então poderá obter algumas informações valiosas que não saberá realmente sem isso (quanto tempo é dedicado ao todo à família, às relações pessoais, se não teve grandes perdas de tempo, quanto tempo gasta durante uma semana em recreio, desporto, etc.).

Quando alguém é jovem devia tirar proveito do facto de uma pessoa na juventude dispor de mais tempo do que quando for adulto. Precisa de compreender que na juventude devia concentrar um grande esforço em instruir-se bem, em adquirir qualificações e desenvolver vários aspectos da sua personalidade, como se menciona neste blog (melhorando as suas faculdades, olhando por si, desenvolvendo a sua aptidão física, adquirindo métodos racionais de trabalho, estudando literatura especializada, e aperfeiçoando também a sua personalidade, estudando línguas estrangeiras, etc.). Se usar o seu tempo bem, ele chegar-lhe-á para desenvolver os aspectos particulares da sua personalidade.

Jovens leitores, lembrem-se de que, depois de casarem e de terem filhos e tentarem promover a vossa carreira, nunca disporão de tanto tempo. Se enquanto jovens não levarem longe os vossos estudos escolares, terão de estudar ao mesmo tempo que trabalham. Então lamentarão provavelmente que ninguém os tenha encorajado a lançar os alicerces para um amplo desenvolvimento da vossa personalidade enquanto ainda tinham tempo.

O autor deste blog, além de ter frequentado a escola primária, um curso técnico secundário e a universidade aos 26 anos de idade já tinha aprendido seis línguas. Passava sempre as férias grandes fora aprendendo um língua estrangeira diferente. Durante o ano lectivo lia livros estrangeiros sobre o desenvolvimento e aperfeiçoamento da personalidade. Todo este conhecimento e experiência foi útil pela sua vida adiante. Não teve de lamentar ter desperdiçado o seu tempo na juventude. E acentue-se também que ele de modo algum se privou das distracções e dos prazeres da vida próprios da gente nova.

Uma das coisas mais importantes foram esses registos de como se gasta o tempo, que o ajudaram, por um lado a compreender o valor do tempo, e isso ao longo de toda a sua vida, e por outro lado a arranjar tempo para todas as suas actividades e interesses.

O Hábito Torna mais Fáceis Todas as Actividades

O Hábito Torna mais Fáceis Todas as ActividadesSe analisarmos com algum cuidado a nossa vida quotidiana, descobriremos que ela consiste num enorme número de hábitos que surgiram em resultado da repetição diária das mesmas acções desde os primeiros dias da nossa vida.

O leitor ou a leitora lembram-se de quando começaram a andar de bicicleta, a coser, a tocar um instrumento musical ou a guiar um carro? Fixemo-nos na condução de um carro: lembram-se de como era difícil dominar o volante, meter as velocidades, pisar a embraiagem e o travão e conseguir manter-se na sua mão, tudo ao mesmo tempo? Possivelmente, quando começou a aprender a conduzir, até pensou que nunca conseguiria controlar tudo isso ao mesmo tempo que ia guiando o veículo. Mas agora já conduz há algum tempo, essas coisas parecem-lhe todas extremamente simples e naturais. Executa todos esses movimentos automaticamente, de modo que pode, ao mesmo tempo, observar o cenário e falar com os viajam consigo. O leitor adquiriu hábitos necessários nessas lições iniciais de condução, de modo que nem dá fé dos movimentos básicos que tem de efectuar para guiar um carro.

Se tivéssemos de pensar todos os dias naquilo que temos de fazer quando nos levantamos da cama de manhã, quando lavamos os dentes ou descemos a escada, a vida seria extremamente difícil. Só pela repetição é que adquirimos os hábitos que nos permitem frequentemente, “cegamente”, repetir certos movimentos.

O mesmo é verdadeiro para outras actividades. Como vemos, os hábitos tornam a vida mais simples. Devemos, portanto, orientar-nos para dominar gradualmente hábitos bons e úteis nas mais diversas esferas da vida, quer tenhamos em mente seguir uma dieta correcta, hábitos de trabalho e de estudo, ou a nossa conduta e acções.

Noutro ponto deste livro escrevemos a respeito de coisas que ao leitor podem parecer, à primeira vista, impraticáveis: por exemplo, a necessidade de adquirir o hábito de reagir aos pensamentos deprimentes começando a pensar imediatamente em coisas agradáveis. Até na nossa vida física podemos criar bons e maus hábitos.

Não é fácil libertarmo-nos de velhos maus hábitos. Os especialistas recomendam que nos concentremos no objectivo final, positivo, que queremos atingir. Contudo, é incorrecto uma pessoa recriminar-se a si própria e criar assim um complexo de inferioridade. Pelo contrário, é essencial reforçar a ideia de que seremos bem sucedidos a fazer as coisas. Se um mau hábito reside no uso de uma droga, por exemplo, no tabaco, então é ainda mais difícil libertarmo-nos dele.

A Realização de Qualquer Tarefa Exige Motivação

a realização de qualquer tarefa exige motivaçãoSe desejamos fazer qualquer coisa, realizar uma tarefa ou tentar atingir qualquer objectivo, tem de haver algo que nos motive, ou seja uma razão que nos leve a esforçar-nos nesse sentido.

Esta verdade é usada pelos psicólogos nas suas investigações para determinar o grau de intensidade do interesse da pessoa testada numa determinada coisa. É dada a mesma tarefa a duas pessoas – aprender um texto de cor. Uma delas está interessada em decorá-lo, a outra não. A diferença entre o que a primeira e a segunda pessoa decoram está na proporção exacta da sua motivação.

Devíamos usar a motivação, a bem dizer, para todas as tarefas que desejamos assumir voluntariamente, como, por exemplo, aprender uma língua estrangeira, fazer exercício todos os dias, perder o hábito de ser tímido de fumar, de beber, etc.

Conviria compreendermos que temos prazer em aprender e fazer aquilo de que gostamos. por conseguinte, quando nos propomos levar a cabo qualquer tarefa, devemos pensar primeiro na motivação, isto é, saber porque é que queremos realizá-la. Ponderemos longa e profundamente nisso, inclusive escrevamos todas as coisas positivas que a sua realização produzirá. Especialmente quando nos propomos tarefas a longo prazo, tais como tirar um curso estando empregados ou o estudo de uma língua estrangeira, é necessário ter ou criar uma forte motivação.

Sempre que sentimos vontade de interromper por algum tempo a realização de uma dada tarefa, ou desistir de cumpri-la, é essencial renovar a nossa motivação repetindo as razões pelas quais devemos prossegui-la e que resultados ou vantagens a sua conclusão produzirá.

Usando exemplos práticos de motivação, descobriremos aquilo com que temos de lidar mais adiante neste blog, designadamente que a psique é uma força poderosa nas nossas vidas. Quem souber utilizá-la eficazmente alcançará sucesso no trabalho e em tudo o mais que empreender. Pelo menos alcança a satisfação interior. Quem não souber o forte efeito da psique terá de pagar agora e sempre o preço dessa ignorância.

Um exemplo: dois jovens com as mesmas qualificações têm basicamente as mesmas possibilidades. Começam ambos a trabalhar em tarefas que, a princípio, pelo menos, não parecem particularmente interessantes. O primeiro desses jovens não cessa de falar de quanto é desinteressante e desagradável o trabalho que tem de fazer, de como não gosta da atmosfera em que trabalha ou das pessoas que o rodeiam. Assim, está constantemente a alimentar a sua atitude negativa porque está continuamente a olhar apenas para o que é negativo no seu trabalho.

O segundo age de uma maneira inteiramente diferente. Compreende os lados negativos, mas concentra-se nos seus aspectos positivos e reais. Começa a fazer tudo por se familiarizar melhor com o seu trabalho. Quanto mais profundamente o vai conhecendo, tanto maior o seu interesse nele. Em pouco tempo descobre que o trabalho não só o interessa como até gosta dele. Naturalmente os seus superiores também vêem isso e, devido ao conhecimento profissional que entretanto adquiriu, confiam-lhe os trabalhos mais interessantes e de maior responsabilidade. O outro jovem, por falta de interesse, talvez acabe por deixar o emprego.

A moral disto é que devemos sempre tentar conhecer melhor o que fazemos, procurar conselho entre ao colegas, estudar a literatura (livros e revistas) especializada, e assim aumentar a nossa motivação. Deste modo o trabalho torna-se mais fácil e mais interessante e às vezes transforma-se até numa actividade que prezamos acima de todas as outras.

O leitor devia tentar aproveitar-se desta lição e de outras afins nos seus esforços para se valorizar a si próprio

Isto significa que devia considerar cuidadosamente o que conseguirá quando, por exemplo, vai melhorar a sua aptidão física, aprender uma língua, dominar os princípios do correcto relacionamento com as pessoas. Só então devia começar a trabalhar no auto-aperfeiçoamento. Ao realizar o seu plano, pense nos resultados esperados, e assim fortalecerá continuamente a sua motivação.

Caro leitor, este é o lugar para um grande ponto de exclamação, porque aquilo que foi dito nestas páginas é de importância fundamental para a sua vida. Ou escolherá apenas o lado negativo de tudo o que o cerca, e então viverá eternamente infeliz e insatisfeito e achará tudo intolerável, ou, pelo contrário, consagrará a sua atenção principalmente ao que é positivo, e então encontrará muitas coisas que lhe agradam, que lhe interessam e que lhe causam prazer e um sentimento de satisfação.

Deparar somente com coisas desagradáveis, com trabalho pouco interessante, com pessoas antipáticas, etc., depende também de si. Podemos encontrar qualquer coisa de interessante em tudo, em todos os trabalhos, em todas as pessoas, se quisermos; mas, se quisermos, podemos alcançar justamente o contrário, uma atitude negativa. Podemos sentir-nos felizes porque está um belo dia de sol depois de uma série de dias enevoados com chuva e temporais, ou podemos ficar furiosos porque está demasiado calor e o sol nos fere os olhos. Podemos sentir-nos satisfeitos por ter completado um certo trabalho, ou sentir-nos antecipadamente atormentados com a ideia de, uma vez terminada esta, temos outras tarefas á nossa espera.

Sublinhe-se para concluir que: é essencial ter uma motivação para tudo o que fazemos. Se a tivermos, então alcançaremos o estádio em que o trabalho nos interessará, ou em que até nos agradará, e então faremos esse trabalho com entusiasmo e animação. Em consequência disso, o trabalho tornar-se-á mais fácil.

Como Alcançar Sucesso

como alcancar sucessoA maioria dos especialistas concordam que aquele que é bem sucedido é um sucesso. que quer isto dizer?

Aquele que é bem sucedido continuará a colher sucessos porque age e se comporta diferentemente daquele que falha. Cada pequenino sucesso è mais um passo na direcção de ulteriores sucessos.

Por outro lado, quem nunca conheceu o sucesso não tem uma tal possibilidade. Isso é uma coisa que se vê desde a escola, a começar pelas primeiras classes. Um indivíduo adquire a reputação de ser bom aluno e faz o seu curso com êxito. Mas há outros alunos que nunca conheceram o sucesso e a maior parte conforma-se com desempenhar o papel de mal sucedidos, e transferindo possivelmente o seu desejo de serem apreciados para actividades exteriores à escola, Os bons professores dão aos alunos mais fracos uma oportunidade de conseguir essa motivação para o êxito e a confiança em si próprios.

Não é tão importante aquilo em que se é bem sucedido como o próprio facto de ser bem sucedido. Isto dá-nos confiança em nós próprios e certeza. Por conseguinte, devemos pensar em termos de sucesso experimentado e especialmente lembrar o que sentimos nessa ocasião. Existe uma chamada “atmosfera de sucesso” e o “hábito de sucesso”. Da próxima vez fortaleça a sua confiança recordando o seu anterior sucesso. Imagine que é bem sucedido e com isso contribuirá para ser de facto bem sucedido.

«É melhor aprendermos com os nossos sucessos do que com os nossos fracassos», disse o cientista Bernard Haldane. Ao analisarmos qualquer coisa já concluída aprendemos, naturalmente, os aspectos em que agimos mal e aqueles em que agimos bem. Se compreendermos os nossos erros, tentemos evitá-los da próxima vez. Depois ponhamos de parte a ideia de falhanço e pensemos antes nos métodos de que necessitámos para levarmos as coisas a uma feliz conclusão, e lembremo-nos deles muito bem.

Conta-se que o famoso cientista soviético Pavlov, ao ser-lhe perguntado por estudantes como alcançar o sucesso e quais as condições prévias para tal, respondeu: «Trabalhar apaixonadamente por uma coisa e progredir passo a passo».

É necessário lembrar bem estas palavras. Discutiremos adiante, a questão do entusiasmo. Mas o entusiasmo não servirá de nada se não continuarmos, passo a passo, e se tentarmos fazer demasiado de uma só vez. Então sofreremos um desaire, e isso poderá levar-nos a desistir. Lembremo-nos, por exemplo, de como se treinam os halterofilistas, Começam com pesos leves a que vão gradualmente acrescentando mais. Podemos imitá-los. Não devemos sobrestimar a nossa força e capacidades, porque então provavelmente falharemos e perderemos a coragem para prosseguir.

Adquira o hábito de reagir de uma maneira activa a problemas e coisas desagradáveis. Não se deixe desencorajar por uma dada situação e actue, pelo contrário, com maior intensidade.

Esta atitude de grande actividade nas situações difíceis e na resolução de problemas tornar-se-á, depois de algum tempo, uma parte inata da sua pessoa. O hábito fará com que, mal semelhante situação volte a surgir, uma pessoa assumirá automaticamente uma atitude activa e positiva.

Mas as pessoas que em tais situações no passado perderam a confiança em si próprias e se tornaram passivas, agirão, na maior parte dos casos, da mesma maneira da próxima vez.

Todos os problemas, quer pessoais quer de trabalho, Quando os enfrentamos e aplicamos uma actividade maior a superá-los ou resolvê-los, parecem imediatamente menores.

Finalmente, alguns conselhos aos pais:

Se contam com bons resultados de um filho (tendo em conta, naturalmente, as suas possibilidades e aptidões), esse facto contribuirá para produzi-los.

Se não têm confiança num filho e estão constantemente a dizer-lhe que é um incapaz e que nunca fará nada na vida, arriscam-se a persuadir o filho de que será isso precisamente o que irá acontecer.

É necessário incutir autoconfiança numa criança e esperar que ela seja bem sucedida naquilo que está a fazer. Uma pessoa pode tornar-se num falhado desde a infância em resultado do retrato de si adquirido na família e na escola. Têm-se obtido resultados positivos em experiências destinadas a «vazar autoconfiança e pleno êxito» naqueles que até então nunca experimentaram um sentimento de sucesso. Nada é tão bem sucedido como o sucesso.