Se desejamos fazer qualquer coisa, realizar uma tarefa ou tentar atingir qualquer objectivo, tem de haver algo que nos motive, ou seja uma razão que nos leve a esforçar-nos nesse sentido.
Esta verdade é usada pelos psicólogos nas suas investigações para determinar o grau de intensidade do interesse da pessoa testada numa determinada coisa. É dada a mesma tarefa a duas pessoas – aprender um texto de cor. Uma delas está interessada em decorá-lo, a outra não. A diferença entre o que a primeira e a segunda pessoa decoram está na proporção exacta da sua motivação.
Devíamos usar a motivação, a bem dizer, para todas as tarefas que desejamos assumir voluntariamente, como, por exemplo, aprender uma língua estrangeira, fazer exercício todos os dias, perder o hábito de ser tímido de fumar, de beber, etc.
Conviria compreendermos que temos prazer em aprender e fazer aquilo de que gostamos. por conseguinte, quando nos propomos levar a cabo qualquer tarefa, devemos pensar primeiro na motivação, isto é, saber porque é que queremos realizá-la. Ponderemos longa e profundamente nisso, inclusive escrevamos todas as coisas positivas que a sua realização produzirá. Especialmente quando nos propomos tarefas a longo prazo, tais como tirar um curso estando empregados ou o estudo de uma língua estrangeira, é necessário ter ou criar uma forte motivação.
Sempre que sentimos vontade de interromper por algum tempo a realização de uma dada tarefa, ou desistir de cumpri-la, é essencial renovar a nossa motivação repetindo as razões pelas quais devemos prossegui-la e que resultados ou vantagens a sua conclusão produzirá.
Usando exemplos práticos de motivação, descobriremos aquilo com que temos de lidar mais adiante neste blog, designadamente que a psique é uma força poderosa nas nossas vidas. Quem souber utilizá-la eficazmente alcançará sucesso no trabalho e em tudo o mais que empreender. Pelo menos alcança a satisfação interior. Quem não souber o forte efeito da psique terá de pagar agora e sempre o preço dessa ignorância.
Um exemplo: dois jovens com as mesmas qualificações têm basicamente as mesmas possibilidades. Começam ambos a trabalhar em tarefas que, a princípio, pelo menos, não parecem particularmente interessantes. O primeiro desses jovens não cessa de falar de quanto é desinteressante e desagradável o trabalho que tem de fazer, de como não gosta da atmosfera em que trabalha ou das pessoas que o rodeiam. Assim, está constantemente a alimentar a sua atitude negativa porque está continuamente a olhar apenas para o que é negativo no seu trabalho.
O segundo age de uma maneira inteiramente diferente. Compreende os lados negativos, mas concentra-se nos seus aspectos positivos e reais. Começa a fazer tudo por se familiarizar melhor com o seu trabalho. Quanto mais profundamente o vai conhecendo, tanto maior o seu interesse nele. Em pouco tempo descobre que o trabalho não só o interessa como até gosta dele. Naturalmente os seus superiores também vêem isso e, devido ao conhecimento profissional que entretanto adquiriu, confiam-lhe os trabalhos mais interessantes e de maior responsabilidade. O outro jovem, por falta de interesse, talvez acabe por deixar o emprego.
A moral disto é que devemos sempre tentar conhecer melhor o que fazemos, procurar conselho entre ao colegas, estudar a literatura (livros e revistas) especializada, e assim aumentar a nossa motivação. Deste modo o trabalho torna-se mais fácil e mais interessante e às vezes transforma-se até numa actividade que prezamos acima de todas as outras.
O leitor devia tentar aproveitar-se desta lição e de outras afins nos seus esforços para se valorizar a si próprio
Isto significa que devia considerar cuidadosamente o que conseguirá quando, por exemplo, vai melhorar a sua aptidão física, aprender uma língua, dominar os princípios do correcto relacionamento com as pessoas. Só então devia começar a trabalhar no auto-aperfeiçoamento. Ao realizar o seu plano, pense nos resultados esperados, e assim fortalecerá continuamente a sua motivação.
Caro leitor, este é o lugar para um grande ponto de exclamação, porque aquilo que foi dito nestas páginas é de importância fundamental para a sua vida. Ou escolherá apenas o lado negativo de tudo o que o cerca, e então viverá eternamente infeliz e insatisfeito e achará tudo intolerável, ou, pelo contrário, consagrará a sua atenção principalmente ao que é positivo, e então encontrará muitas coisas que lhe agradam, que lhe interessam e que lhe causam prazer e um sentimento de satisfação.
Deparar somente com coisas desagradáveis, com trabalho pouco interessante, com pessoas antipáticas, etc., depende também de si. Podemos encontrar qualquer coisa de interessante em tudo, em todos os trabalhos, em todas as pessoas, se quisermos; mas, se quisermos, podemos alcançar justamente o contrário, uma atitude negativa. Podemos sentir-nos felizes porque está um belo dia de sol depois de uma série de dias enevoados com chuva e temporais, ou podemos ficar furiosos porque está demasiado calor e o sol nos fere os olhos. Podemos sentir-nos satisfeitos por ter completado um certo trabalho, ou sentir-nos antecipadamente atormentados com a ideia de, uma vez terminada esta, temos outras tarefas á nossa espera.
Sublinhe-se para concluir que: é essencial ter uma motivação para tudo o que fazemos. Se a tivermos, então alcançaremos o estádio em que o trabalho nos interessará, ou em que até nos agradará, e então faremos esse trabalho com entusiasmo e animação. Em consequência disso, o trabalho tornar-se-á mais fácil.